sábado, 27 de março de 2010

Ela


Ela vive do mar,
Ela cheira á beira-mar...
Seu corpo guarda estrelas do mar e o sal saboreia-se dela.

Ela sente o marulho como uma anémona do mar,
Adorna-se de algas...
E brinca com as ondas do mar.

Bebe a maresia,
Como de pura magia,
Pois conchas e búzios são seus remédios do dia.

Quem será ela?
Que desejará ela?

Vive do mar e ele vive dela...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Dança


Olhos fogosos eu via,
Olhos fogosos que neles eu ardia,
Foram esses olhos que por eles,
Meus sentimentos, sonhos, pensamentos, psicologicamente mordia.

Os meus fantasiaram-se de arco-íris,
Alegres bailaram sobre os teus.

Nessa colorida dança,
A Natureza parou,
E numa certa balança,
Os meus mediram o quanto durou.

Subitamente deixei de os ver!
Procurei-os deliberadamente,
Mas foi ao perceber,
Que evaporaram abruptamente.

Neles ficaram a essência.
Neles os teus criaram,
Os elementos constituíntes do Universo: água, ar, fogo, terra.
E devido aos teus que os meus vestiram cinza...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pensamento embebido


Neste dia chuvoso penso como fomos. Recordo-me vagamente do nosso aspecto de quando ficávamos juntos... mas porque vagamente me recordo? E não por inteiro? Será que foi porque nunca te amei em total revelação? Penso que seja esse o facto derradeiro.

Mas neste dia chuvoso que passa tão devagar, que até parece que as gotas de água caiem mais depressa do que o tempo que passa, medito sobre ti. Esta meditação engole o meu tempo todo e eu sorrio apenas. Vou construindo figuras de ti e preenchendo a minha mente com elas, e guardo-as lá como se fosse um albúm de fotografias psicológico.
Por vezes, mando-te embora, emitindo um grito desesperado:"Vaii, vai-teee emboraa!", e depois penso:"Não, fica...". A tua ausência magoa-me mesmo tu não estando real e volto a meditar e penso:"Fica... para
SEMPRE
!"
Esta palavra "sempre" deixa-me petrificada e leva-me ao universo, ao imenso, à eternidade, ao infinito e, pára no preciso momento do acto em que abraçamo-nos e entre beijos, falamos de poesia. Voltando tudo ao inicio.
Neste dia chuvoso penso como fomos...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Viver á Beira-Mar

"Nunca o mar foi tão ávido quanto a minha boca.
Era eu quem o bebia. Quando o mar no horizonte desaparecia e a areia fervida não tinha fim sob as passadas, e o caos se harmonizava enfim com a ordem.
Eu havia convulsamente e tão serena bebido o mar."


Fiama Hasse Pais Brandão

sábado, 5 de setembro de 2009

Espelho

Os meus olhos já não conseguem ver a razão porque as lágrimas entupiram-nos.
Estão em dia chuvoso, que constantemente perduram. Já não tem cor nem forma, já não tem vida... Congelaram!
O meu castanho vestiu-se de cinza, esse cinza que perdura: esvanecem como se se fosse deitar sobre eles; e neste caso deitou-se para ficar. Mas eu nem me incomodo ou me ralo, deixo-me permanecer, deixo que meus olhos comandem a minha visão e tudo o que eles me dão a ver eu vejo, sem qualquer contrariação.

Os olhos são o espelho da alma, dizem... de facto são! Reflectem tudo á nossa mente. Insistem ver o que, por momentos, não desejamos nunca ter visto. Mas os olhos são ilusionistas, mestres da ilusão!
Eles reflectem também ao exterior a sua opinião, são realistas. Tão realistas que chegam a convencer outros olhos.
E os meus olhos por enamorados que estão já não conseguem ver a razão porque as lágrimas entupiram-nos.


Os meus já não são mestres, mas sim dominados... pela paixão...