sexta-feira, 7 de maio de 2010

Flecha

Tudo parou por instantes ...
Os meus olhos melancólicos não viam outro caminho se não o teu (não queriam ver). Assistia ao meu coração que seguia por encruzilhadas que dificilmente conseguia decifrar. E ali pairava eu, petrificada.
Imóvel sobre o tempo... Via a minha vida passar ao meu lado. Poderia apenas agarrá-la com um esticar de braços e assim manuseá-la, mas não. Ofereci-ta de presente para que a guiasses e fizesses dela teu porta-chaves. E ali estava eu de novo, sobre a tua aura invisível que me consumia a toda a velocidade.
Subitamente, a dor instalou-se no meu peito. O que era "isto"? Que quereria de mim? Viria para ficar? - pensava.
E ali permanecia, vivia dentro de mim. Doía-me como se algo me tivesse trespassado a alma. Tentava arrancar esta dor dentro do meu peito que me fazia criar rios. Mas vieste-me com o teu esplendoroso sorriso, que brutalmente me embateu e me sugou toda esta dor.
E de novo estava eu: imóvel sobre o tempo. Saboreando os doces favos que semeavas no meu coração.
Mas subitamente aquela dor voltou. Quis fugir dela antes que me apanha-se, mas foi em vão. Mas para meu benefício chegaste tu, com o teu caloroso abraço que curou desta dor.
E eu ia e vinha nesta corda bamba, neste rodopio infinito de sentimentos, com duas faces: dor e amor. Qual deles pesaria mais? Qual deles me custaria a alma? Mas apareceu-me a resposta, gelada e fervorosa: vieste mas trouxeste contigo o bem e o mal. Sem um não há outro e vice-versa. Dei por mim (de novo) a olhar a minha vida a passar ao meu lado, e tudo parou por instantes...

sábado, 27 de março de 2010

Ela


Ela vive do mar,
Ela cheira á beira-mar...
Seu corpo guarda estrelas do mar e o sal saboreia-se dela.

Ela sente o marulho como uma anémona do mar,
Adorna-se de algas...
E brinca com as ondas do mar.

Bebe a maresia,
Como de pura magia,
Pois conchas e búzios são seus remédios do dia.

Quem será ela?
Que desejará ela?

Vive do mar e ele vive dela...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Dança


Olhos fogosos eu via,
Olhos fogosos que neles eu ardia,
Foram esses olhos que por eles,
Meus sentimentos, sonhos, pensamentos, psicologicamente mordia.

Os meus fantasiaram-se de arco-íris,
Alegres bailaram sobre os teus.

Nessa colorida dança,
A Natureza parou,
E numa certa balança,
Os meus mediram o quanto durou.

Subitamente deixei de os ver!
Procurei-os deliberadamente,
Mas foi ao perceber,
Que evaporaram abruptamente.

Neles ficaram a essência.
Neles os teus criaram,
Os elementos constituíntes do Universo: água, ar, fogo, terra.
E devido aos teus que os meus vestiram cinza...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pensamento embebido


Neste dia chuvoso penso como fomos. Recordo-me vagamente do nosso aspecto de quando ficávamos juntos... mas porque vagamente me recordo? E não por inteiro? Será que foi porque nunca te amei em total revelação? Penso que seja esse o facto derradeiro.

Mas neste dia chuvoso que passa tão devagar, que até parece que as gotas de água caiem mais depressa do que o tempo que passa, medito sobre ti. Esta meditação engole o meu tempo todo e eu sorrio apenas. Vou construindo figuras de ti e preenchendo a minha mente com elas, e guardo-as lá como se fosse um albúm de fotografias psicológico.
Por vezes, mando-te embora, emitindo um grito desesperado:"Vaii, vai-teee emboraa!", e depois penso:"Não, fica...". A tua ausência magoa-me mesmo tu não estando real e volto a meditar e penso:"Fica... para
SEMPRE
!"
Esta palavra "sempre" deixa-me petrificada e leva-me ao universo, ao imenso, à eternidade, ao infinito e, pára no preciso momento do acto em que abraçamo-nos e entre beijos, falamos de poesia. Voltando tudo ao inicio.
Neste dia chuvoso penso como fomos...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Viver á Beira-Mar

"Nunca o mar foi tão ávido quanto a minha boca.
Era eu quem o bebia. Quando o mar no horizonte desaparecia e a areia fervida não tinha fim sob as passadas, e o caos se harmonizava enfim com a ordem.
Eu havia convulsamente e tão serena bebido o mar."


Fiama Hasse Pais Brandão