Estava sentado, vestia as mesmas roupas do costume. Nada o diferenciava dos seus dias anteriores. O mesmo cheiro, o mesmo sorriso, os mesmos movimentos... agora que olho bem noto algo diferente. Aquele olhar, estava intenso! Profundo como a Natureza. Tão cativante.
O seu telemóvel toca, mas não o atende logo. Está sereno e concentrado no que fazia anteriormente. Finalmente atendeu. Uma conversa não mais que cinco minutos. Retoma ao que anteriormente fazia. Com a mesma concentração, a mesma atenção. Completamente focado. O tempo vai passando... mantêm-se na mesma posição. Uma posição que parece cómoda, passo a descrever: encontra-se meio inclinado para a sua esquerda, encostado a duas almofadas encarnadas quase deitado, de pernas entrelaçadas com os dois pés (calçado) apoiados numa pequena mesa de madeira já um pouco gasta. De mãos ocupadas, com uma expressão séria e rígida.
A minha presença não lhe faz a mínima diferença. A concentração é tal que é como se eu cá nem estivesse. Mas devo confessar que não me faz a mínima importância. Gosto do seu silêncio, da sua concentração. Traz-me um sentimento de serenidade. Se bem que de vez em quando desvia o olhar na minha direcção para verificar o que ando a fazer. Por vezes comenta comigo acerca do que está a fazer. Sinto-me interessada! Um sorriso escapa-lhe em certas alturas e vai direccionado a mim. Agora sinto-me contente.
Olho para ele durante uns breves segundos, parece não notar que lhe olho. Vou fazer outra confissão: bem poderia estar aqui o tempo todo a observá-lo que não me importaria. Gosto de vê-lo! Faz-me sentir ocupada e preenchida. E o melhor é que ele nem se importa. Lembrando que ele sempre gostou de ser o centro das minhas atenções.
Está a anoitecer, agora só resta a luz da televisão para o iluminar. Distrai-me a ver o que ele fazia... oiço-o proferir algumas asneiras, dar alguns sinais de vida. Pois a posição é a mesma, se bem que agora inclinado para a sua direita. Foi acender a luz da sala, e agora que se sentou de novo estico-lhe o braço para ter contacto físico com ele e obter uma resposta sua. E conseguida! "Bingo!"- sorrindo, penso.
Voltei a distrair-me com o que lhe está a ocupar o tempo. Não muito interessante, não muito divertido e não muito convidativo.
São dezoito horas e quarenta e sete minutos da tarde, uma bela tarde. Não muito calorosa, não muito divertida. Mas completamente bem passada!
Por vezes os momentos mais simples são os que nos dão mais prazer! :)
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