sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Abstinência


Eu tentei mudar, fechei mais a minha boca, tentei ser macia, mais bonita, menos acordada. Usar branco, abster-me de espelhos. Abster-me do sexo, lentamente não falar nenhuma palavra. Sentia que tinha engolido uma faca... Confessei os meus pecados. Ajoelhei-me e disse: "Amém". Eu bati -me e pedi por domínio aos teus pés. Sentei-me sozinha, dobrada, implorando a Deus e aos seus belos Anjos. Baralhei os meus pensamentos.
Banhei-me nas páginas do livro sagrado. Mas ainda dentro de mim bem enrolado no fundo senti a necessidade de saber:
Estás a enganar-me?
E no meio dessa profunda oração fiquei embriagada. Rezei aos Anjos para que me revelassem a verdade. E assim, a mesma foi-me enviada. Matou-me!
E agora? O que dirás no meu funeral? "Aqui jaz o corpo do amor da minha vida...cujo coração feri sem uma única faca.
 Descansa em paz meu amor, o qual tomei como garantido."

sábado, 21 de janeiro de 2017

Juramento


Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; 
Porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; 
O teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus;
Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. 
Faça-me assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.

domingo, 25 de setembro de 2016

Começo



E virá o dia que perante todas as divindades, diremos a palavra sagrada SIM. Diremos e perceberemos que a nossa eternidade começa naquele momento; juntos, inquebráveis e para sempre inseparáveis.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O jardim






Numa terra de deuses e monstros, eu era um anjo a viver no jardim do mal. Amedrontada, a brilhar como um farol de fogo.

Era

E cem anos serão para louvar
Os teus olhos e o teu olhar;
Duzentos anos para cada seio adorar,
Mas trinta mil para o que restar;
Uma era, pelo menos, para cada mão,
E a última para mostrar ao teu coração...

Andrew Marvell