sábado, 21 de janeiro de 2017

Juramento


Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; 
Porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; 
O teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus;
Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. 
Faça-me assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.

1 comentário:

  1. É uma linha ténue o que separa as memórias dos fantasmas que nos acompanham toda a vida. Nunca entendi muito bem esta ilusão criada pelo nossos cérebro, em que o passado se torna presente na nossa mente, em que quase podemos tocar com as nossas mãos e agarrar o que foi, o que passou. O passado prega-nos partidas, arranjando sempre maneira de regressar ao presente...

    Há uns dias atrás peguei num casaco que já não usava há muito, que estava pendurado no meu guarda-roupa, na esperança do o esvaziar livrando-me dele. Em tons de brincadeira, revistei os bolsos na esperança de encontrar alguma nota esquecida, algum dinheiro, pois dizem que dá sorte (nunca acreditei nisso). Num dos bolsos interiores deparei-me com metade de um gancho castanho, tinha sido partido a meio. Um gancho de mola...que cheirava ainda a amoras..viajei de imediato. A mente tem destas coisas...e o tempo passa rápido demais. Somos meros passageiros talvez, pois o tempo passa mesmo rápido demais...
    Segurei aquele gancho partido com todos os cuidados, como se tivesse encontrado algum tesouro havia muito perdido. Senti novamente o cheiro a amoras...naquele momento já não estava no meu quarto, estava no cimo daquela colina onde víamos o pôr-do-sol. Estava a ouvir-te rir, quando o teu comprido cabelo a cheirar a amoras ficava preso na minha barba. Estava com as minhas mãos na tua cintura, a beijar-te, contigo ao meu colo...memórias presas num gancho partido.
    Sou novo em idade, mas já sou muito velho. Um dos mais velhos talvez. A minha vida não se mede em simples anos, aniversários mortais, mas em tudo o que eu já passei. Sinto-me tão cansado...o tempo passa e eu mantenho-me...o tempo passa e eu passo pelo tempo, ou passará ele por mim? O tempo passa e eu estou perdido.
    O cheiro a amoras...

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