sábado, 24 de novembro de 2012

Poucas pessoas sabem o estrago que um abraço sem emoção pode fazer.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Beijo

Ele podia conhecer os grandes mistérios da vida - mas de amor sabia tanto quanto eu. E tinha de pagar um preço: a iniciativa. Porque a mulher (eu) paga o preço mais alto: a entrega. Ficámos de mãos dadas por um longo tempo. Eu lia nos olhos dele os medos ancestrais que o verdadeiro amor coloca provas a serem vencidas. Eu lia a lembrança da rejeição, o longo tempo que passámos separados, os anos passados em busca de um mundo onde estas coisas não aconteciam. Eu queria dizer que «sim», que ele seria bem-vindo em mim. Eu queria dizer o quanto o amava, o quanto o desejava naquele momento. Assisti como se fosse um sonho, à sua luta interior. Vi que tinha diante dele o meu «não», o medo de me perder, as palavras duras que ouviu em momentos da sua vida - porque todos nós passamos por isso e acumulamos cicatrizes.  (...) Agarrara-me os cabelos e beijava-me. Eu também o agarrei pelos cabelos, o abracei com toda a força, mordi os seus lábios, senti a sua língua dentro da minha boca. Era um beijo pelo qual tinha esperado muito - que tinha nascido junto aos rios da nossa infância, quando ainda não compreendíamos o significado do amor. Um beijo que ficou suspenso no ar quando crescemos, que viajou pelo mundo através da lembrança, que ficou escondido atrás de um monte de livros de estudo para um emprego público. Um beijo que se perdeu tantas vezes e que agora tinha sido encontrado. Naquele minuto de beijo, estavam anos de buscas, de desilusões, de sonhos impossíveis. Naquele minuto de beijo estava o resumo da minha vida, da vida dele. Naquele minuto de beijo estavam todos os momentos de alegria que vivi. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Amar

Amar é perigoso. Amar é como uma droga. No princípio vem a sensação de euforia, de total entrega. Depois, no dia seguinte, tu queres mais. Ainda não te viciaste, mas gostaste da sensação e achas que podes mantê-la sob controlo. Pensas durante dois minutos nela e esqueces por três horas. Mas aos poucos, acostumas-te com aquela pessoa, e passas a depender completamente dela. Então, pensas por três horas e esqueces por dois minutos. Se ela não está perto, experimentas as mesmas sensações que os viciados têm quando não conseguem arranjar droga. Nesse momento, assim como os viciados roubam e se humilham para conseguir o que precisam, tu estás disposto a fazer qualquer coisa pelo amor.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Responde-me

Mas quem é que escuta a voz da razão quando o amor sussurra, suavemente persuasivo, ao outro ouvido?

Díspares

"Os seus caracteres e temperamentos em breve se revelaram fatalmente díspares. Ele era frio e desprendido, enquanto ela iluminava uma sala com a sua animação e o seu riso; ele era reservado, ela bisbilhotava sem compunção; ele era respeitado, por vezes temido, mas não muito querido, enquanto ela era admirada por todos; ele vivia para a política e para os negócios e para o aumento da sua herança, enquanto ela adorava os prazeres simples e a companhia dos amigos. Num período de tempo relativamente curto, essas diferenças tornaram-se exageradas e enraizadas."
Michael Cox