Os teus olhos são tão estranhos. Parece que nos perdemos neles, parecem dois poços sem fundo. Sinto-me hipnotizada por eles.. por vezes brilham como dois faróis no meio da escuridão e, me guiam. Traçam o caminho que eu já sei de cor, e me seguem ansiosos e insistentes vá onde for.
domingo, 22 de dezembro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
sábado, 20 de julho de 2013
Devolve-me
Devolve o meu apaixonado, e quando ele morrer, corte-o em pequenas estrelas. E ele deixará a face do céu tão bela que o mundo inteiro se apaixonará pela noite.
sábado, 23 de março de 2013
Aprisionada
Não peças para sair deste bosque. Ficarás aqui, quer queiras quer não. Eu sou um espírito de uma ordem pouco comum. Fixa bem, até mesmo o Verão, onde eu paro, fica imóvel. E eu amo-te. Vem comigo; dar-te-ei fadas para te servirem; e elas irão procurar-te jóias ao fundo do abismo, e cantarão enquanto tu dormirás sobre um leito de flores prensadas. E eu purificarei tão bem a tua grosseira mortalidade que tu brilharás como um espírito do ar.
William Shakespeare
quarta-feira, 20 de março de 2013
Aprisionado
Lembro-me de ela esperar por mim no nosso quarto depois de terminadas as celebrações do casamento: toda vestida de branco, com o cabelo solto e espalhado nas almofadas e na colcha, a roçar o chão. Aproximei-me devagar da cama, receoso de a acordar, e uma terrível ternura invadiu todo o meu corpo. O que mais desejava acima de tudo era deitar-me ao lado dela, aspirar o seu perfume, o cheiro a frutos silvestres e a lilás dos seus cabelos longos. Por breves segundos, tudo foi quietude, mas depois ela abriu os olhos. Vi o meu rosto como que reflectido na bola de cristal de uma feiticeira, uma pequena cabeça de alfinete nas suas pupilas. As suas mãos frias e pálidas envolveram-me o pescoço. Senti que as minhas reagiam e quando os lábios dela tocaram os meus, deixei-me submergir nela, as minhas mãos cheias dos seus cabelos... Então assim, quando ela fechou os olhos consegui fugir ao seu feitiço. Entreabriu os olhos e a única coisa que pude fazer para evitar perder-me de novo nos seus abismos foi agarrar-me ao que restava da minha sanidade mental. Amaldiçoei-a. Amaldiçoei a sua pele branca, os seus olhos abissais e o seu cabelo, que me enlouqueceram.
Devia ter morrido naquele momento: nenhum homem foi feito para conseguir suportar, como eu e só eu, o êxtase e o tormento dela.
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