quinta-feira, 27 de maio de 2010

Essência

Não o controlas mas vives-o, conheces mas não o advinhas, tu ama-lo mas não o dominas. Não o dominas, mas respeita-lo, é ele que te acolhe, é ele quem tu amas.
Leva-te dentro dele e envolve-te nos seus braços. Aquele sal penetra na tua suave pele, ama-te com as suas forças, liberta-te nas suas ondas. Ele acolhe-te, ele ama-te e tu o amas, tu não o conheces mas sobre ele não te enganes. Doce e fiel companheiro, proporciona-te o desejo da vida eterna, é simples, é verdadeiro! Teu doce rival, teu fiel companheiro. Nunca o perdeste e navegas nele de forma única.
Cabelos loiros brilham perante a tempestade... é medo? é morte? mas é a tua vida. Só tu o chamas docemente de Mar, enfeitiças-o com um toque, uma vida. É ele a tua vida, o teu tudo, o teu nada, o teu riso, o teu choro.
Um leve toque, uma eterna paixão, eterna vida, é ele que te deixa o coração nas mãos, mas também é ele que o faz bater. Tu conhece-lo de forma diferente, talvez seja por ele te dar vida, talvez pelas tuas memórias, o teu riso, o teu choro. Foi ele que te acompanhou nos teus melhores momentos, pois ele sempre está no teu coração e, talvez, por triunfares no mar.
Vai, força, luta, chora mas sorri, sofres, ris, mas seja como for será sempre ele, aquele teu velho companheiro. Aquele que foi, é, e sempre será a tua grande e verdadeira paixão.
Ele está onde sempre esteve, mas sobretudo dentro do teu peito, nesse teu enorme coração.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Flecha

Tudo parou por instantes ...
Os meus olhos melancólicos não viam outro caminho se não o teu (não queriam ver). Assistia ao meu coração que seguia por encruzilhadas que dificilmente conseguia decifrar. E ali pairava eu, petrificada.
Imóvel sobre o tempo... Via a minha vida passar ao meu lado. Poderia apenas agarrá-la com um esticar de braços e assim manuseá-la, mas não. Ofereci-ta de presente para que a guiasses e fizesses dela teu porta-chaves. E ali estava eu de novo, sobre a tua aura invisível que me consumia a toda a velocidade.
Subitamente, a dor instalou-se no meu peito. O que era "isto"? Que quereria de mim? Viria para ficar? - pensava.
E ali permanecia, vivia dentro de mim. Doía-me como se algo me tivesse trespassado a alma. Tentava arrancar esta dor dentro do meu peito que me fazia criar rios. Mas vieste-me com o teu esplendoroso sorriso, que brutalmente me embateu e me sugou toda esta dor.
E de novo estava eu: imóvel sobre o tempo. Saboreando os doces favos que semeavas no meu coração.
Mas subitamente aquela dor voltou. Quis fugir dela antes que me apanha-se, mas foi em vão. Mas para meu benefício chegaste tu, com o teu caloroso abraço que curou desta dor.
E eu ia e vinha nesta corda bamba, neste rodopio infinito de sentimentos, com duas faces: dor e amor. Qual deles pesaria mais? Qual deles me custaria a alma? Mas apareceu-me a resposta, gelada e fervorosa: vieste mas trouxeste contigo o bem e o mal. Sem um não há outro e vice-versa. Dei por mim (de novo) a olhar a minha vida a passar ao meu lado, e tudo parou por instantes...

sábado, 27 de março de 2010

Ela


Ela vive do mar,
Ela cheira á beira-mar...
Seu corpo guarda estrelas do mar e o sal saboreia-se dela.

Ela sente o marulho como uma anémona do mar,
Adorna-se de algas...
E brinca com as ondas do mar.

Bebe a maresia,
Como de pura magia,
Pois conchas e búzios são seus remédios do dia.

Quem será ela?
Que desejará ela?

Vive do mar e ele vive dela...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Dança


Olhos fogosos eu via,
Olhos fogosos que neles eu ardia,
Foram esses olhos que por eles,
Meus sentimentos, sonhos, pensamentos, psicologicamente mordia.

Os meus fantasiaram-se de arco-íris,
Alegres bailaram sobre os teus.

Nessa colorida dança,
A Natureza parou,
E numa certa balança,
Os meus mediram o quanto durou.

Subitamente deixei de os ver!
Procurei-os deliberadamente,
Mas foi ao perceber,
Que evaporaram abruptamente.

Neles ficaram a essência.
Neles os teus criaram,
Os elementos constituíntes do Universo: água, ar, fogo, terra.
E devido aos teus que os meus vestiram cinza...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pensamento embebido


Neste dia chuvoso penso como fomos. Recordo-me vagamente do nosso aspecto de quando ficávamos juntos... mas porque vagamente me recordo? E não por inteiro? Será que foi porque nunca te amei em total revelação? Penso que seja esse o facto derradeiro.

Mas neste dia chuvoso que passa tão devagar, que até parece que as gotas de água caiem mais depressa do que o tempo que passa, medito sobre ti. Esta meditação engole o meu tempo todo e eu sorrio apenas. Vou construindo figuras de ti e preenchendo a minha mente com elas, e guardo-as lá como se fosse um albúm de fotografias psicológico.
Por vezes, mando-te embora, emitindo um grito desesperado:"Vaii, vai-teee emboraa!", e depois penso:"Não, fica...". A tua ausência magoa-me mesmo tu não estando real e volto a meditar e penso:"Fica... para
SEMPRE
!"
Esta palavra "sempre" deixa-me petrificada e leva-me ao universo, ao imenso, à eternidade, ao infinito e, pára no preciso momento do acto em que abraçamo-nos e entre beijos, falamos de poesia. Voltando tudo ao inicio.
Neste dia chuvoso penso como fomos...