Quando a vi pela primeira vez, senti algo que achava ser impossível sentir. Eu tinha 30 anos e ela 22, um sorriso arrebatador que por ironia o escondeu quando me olhou. Não entendi porque me sentira daquela forma: arrebatado, sem autocontrolo, com vontade de dizer ao mundo que a amava, com vontade de fazer figuras ridículas na rua e correr para ela elevando-a no ar e tomando-a nos meus braços. Na realidade, achava essas cenas românticas ridiculas, assim como achava (e ainda acho) a palavra "romântico" absurda. Quando a conheci estava destruído. Não seria velho...apesar dos mais 8 anos que tinha em relação a ela...mas já me sentia velho por dentro. Todos os sufocos que tinha passado na minha infância, todos os problemas da minha adolescência, tudo o que me tinham feito, parecia ter desaparecido naqueles segundos em que a vi naquele jardim, no seu vestido branco e simples...com os cabelos a tocar no fundo das suas costas, cuja cor era uma mistura entre o dourado e a cor do fogo...e o melhor de tudo...ela cheirava a amoras!! Amoras!! O fruto preferido da minha infância, quando fugia para os bosques que existiam por trás da minha casa e imaginava reinos com castelos feitos de rocha pura, lugares escondidos onde uma bela princesa esperava que a encontrasse deitada numa cama de folhas secas para me libertar do vazio que transportava dentro de mim. Senti isso tudo quando a vi e senti o seu cheiro. Caminhámos a uma certa distância um do outro a rodear os canteiros de flores, como se uma barreira invisível mantivesse limites espaciais. Na fronteira do respeito. Apesar de todo magnetismo, essa fronteira foi criada e subsistiu durante alguns momentos fugazes...até que ela parou e me esperou...parei um pouco em frente a ela e olhei-a nos olhos. Saboreei aquele momento como se ela fosse um presente dos céus. Como se em criança alguém me tivesse dado todos os presentes que não desembrulhei, em todos os aniversários e natais que não celebrei. Ela corou e sorriu-me. Em silêncio...abracei-a pela cintura e ela pendurou-se no meu pescoço. Não consigo descrever com exactidão o que senti naquele momento...o seu cheiro a amoras...a sua perfeita silhueta...a sua fina cintura que as minhas mãos brutas seguravam com toda a possível delicadeza...a sua pele macia...ela era o meu lugar secreto...a princesa escondida nos bosques, que esperara por mim toda uma eternidade. O meu coração foi inundado por uma ventura que até então desconhecia e voguei para longe de mim mesmo. Senti vergonha de mim. Vergonha. Como seria possível que alguém como ela, um anjo, uma dádiva dos céus, desse atenção a um vagabundo como eu. Tive medo...eu que era temerário e destemido...tive medo. Medo de a perder, medo de errar, medo que ela descobrisse o que eu era, quem eu era, alguém que certamente não a merecia...
Quando a vi pela primeira vez, senti algo que achava ser impossível sentir. Eu tinha 30 anos e ela 22, um sorriso arrebatador que por ironia o escondeu quando me olhou. Não entendi porque me sentira daquela forma: arrebatado, sem autocontrolo, com vontade de dizer ao mundo que a amava, com vontade de fazer figuras ridículas na rua e correr para ela elevando-a no ar e tomando-a nos meus braços. Na realidade, achava essas cenas românticas ridiculas, assim como achava (e ainda acho) a palavra "romântico" absurda. Quando a conheci estava destruído. Não seria velho...apesar dos mais 8 anos que tinha em relação a ela...mas já me sentia velho por dentro. Todos os sufocos que tinha passado na minha infância, todos os problemas da minha adolescência, tudo o que me tinham feito, parecia ter desaparecido naqueles segundos em que a vi naquele jardim, no seu vestido branco e simples...com os cabelos a tocar no fundo das suas costas, cuja cor era uma mistura entre o dourado e a cor do fogo...e o melhor de tudo...ela cheirava a amoras!!
ResponderEliminarAmoras!! O fruto preferido da minha infância, quando fugia para os bosques que existiam por trás da minha casa e imaginava reinos com castelos feitos de rocha pura, lugares escondidos onde uma bela princesa esperava que a encontrasse deitada numa cama de folhas secas para me libertar do vazio que transportava dentro de mim. Senti isso tudo quando a vi e senti o seu cheiro. Caminhámos a uma certa distância um do outro a rodear os canteiros de flores, como se uma barreira invisível mantivesse limites espaciais. Na fronteira do respeito. Apesar de todo magnetismo, essa fronteira foi criada e subsistiu durante alguns momentos fugazes...até que ela parou e me esperou...parei um pouco em frente a ela e olhei-a nos olhos. Saboreei aquele momento como se ela fosse um presente dos céus. Como se em criança alguém me tivesse dado todos os presentes que não desembrulhei, em todos os aniversários e natais que não celebrei. Ela corou e sorriu-me. Em silêncio...abracei-a pela cintura e ela pendurou-se no meu pescoço.
Não consigo descrever com exactidão o que senti naquele momento...o seu cheiro a amoras...a sua perfeita silhueta...a sua fina cintura que as minhas mãos brutas seguravam com toda a possível delicadeza...a sua pele macia...ela era o meu lugar secreto...a princesa escondida nos bosques, que esperara por mim toda uma eternidade. O meu coração foi inundado por uma ventura que até então desconhecia e voguei para longe de mim mesmo. Senti vergonha de mim. Vergonha. Como seria possível que alguém como ela, um anjo, uma dádiva dos céus, desse atenção a um vagabundo como eu. Tive medo...eu que era temerário e destemido...tive medo. Medo de a perder, medo de errar, medo que ela descobrisse o que eu era, quem eu era, alguém que certamente não a merecia...
Continua...
Wolf Heart
https://youtu.be/hBYymaN338E
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