domingo, 2 de março de 2014

"De quantos homens precisaste para 
saberes que és minha?"
Perguntou-lhe ele quando finalmente a conseguiu encarar, num dia invernoso e muito negro. Ela surpreendida, agarrou-se ao peito e entreabriu os lábios, a resposta morrendo-lhe na garganta. Ele fixou-a, inquieto e incomodado com o silêncio que ela mantinha. Ela deu dois passos atrás, ele deu dois passos em frente, ela respirou profundamente e ele reparou no seu peito enchendo-se de ar e expelindo-o. Não conseguiu desviar o olhar do seu corpo e contemplou-o, pensando que já tinha sido dele e continuava a pertencer-lhe. Subiu com os olhos pelo pescoço acima até aos lábios dela e ai parou, contemplando de novo a linha tão deliciosa que ele pudera beijar, lamber e morder com tamanha ânsia e desejo. De repente ela suspirou rouca e ele olhou-a nos olhos, ela tão frágil corada e desaustinada á sua frente, a um braço do seu alcance e em todo o seu esplendor. Virou-lhe as costas e o vento fez bater na sua cara os seus cabelos, fazendo-lhe pequenas festas. Ele virou-a e puxou-a, sentiu-lhe o coração bater descontroladamente. Ela tocou-lhe com as mãos no peito e ele sentiu força e energia espalhando-se pelo corpo todo, e assim sentindo o seu cheiro no ar que tanto lhe é familiar, trazido pelo vento, beijou-a primeiro suavemente e depois ardentemente, com fúria e raiva por todos os dias que não a teve.

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