terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Carta VII / VIII - Amar-te em Separação

 Amava-te de mais, saberás o que isso é? como te amo agora com o excesso que é meu. Assim me parece perdido todo o tempo em que não penso em ti, em que sobretudo me não apareces no teu fulgor encantamento. E sinto um estranho remorso aí, uma perda, um tempo inútil em que não estás comigo. Vem. Vem e demora-te para dares algum sentido à vida que se me esgotou. Fica. E traz contigo o teu deslumbramento  que me dobra de humildade, como gostaria de poder dizer-te. Dizer-te o que me és e não sei.
 ...
É por isso que nunca nos amámos em total e clara revelação, penso agora. Pelo menos não me lembro. Sei de cor o teu corpo, mas justamente de cor e não quando profundamente o amei. Mas quando foi que eu mais te amei? e de súbito lembro-me de que foi quando te perdi, quando separaste do meu o teu destino.
Vergílio Ferreira 

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