Entraste dentro do seu coração de rompante, sem teres batido á porta. Instalas-te o teu todo e, ali ficaste. E ela? Ela não contrariou ou sequer emitiu qualquer som. Apenas deixou-se ficar, deixou-se levar.. Permaneceu!
Abriste os teus braços para acolher a sua alma, ela reciou e encolheu-se. E tu de teu jeito verdadeiro sussuras-te ao seu coração para que não tivesse medo. Ela, de seu jeito amedontrado, recolheu essas palavras e guardou-as no pensamento. Desde então, todos os dias o teu sorriso apontava para ela e o seu coração derretia ao vê-lo. Todos os dias os teus olhos a seguiam e o seu corpo parava por instantes. Todos os dias que os teus lábios sussurravam aos seus ouvidos, o seu coração vagarosamente ardia.
Decoraste o coração dela de sentimentos, juras e promessas. E deitaste ao lixo o sofrimento, a mágoa, a dor, o desespero. Ver-te e ouvir-te era como um banquete para o seu coração.
E aí ela pensava:"Não deveria amar-te." , mas o inesperado tinha entrado na sua vida. Sem intenção, sem contrariação, com aceitação: fechou os olhos, abriu o seu coração, entregou-te a alma e assim, deixou-se levar.
Além de teres decorado o seu coração, pintas-te também as paredes de mil e umas cores. E cá andava ela nesta dança de sentimentos. Bailava secretamente com todo o fervor e afinco.
Ela queria pisar o mesmo chão que pisavas, dar os mesmos passos que davas, amar o que tu amavas, observar o que tu observavas.
E pensava assustada:" O que me fizeste??". E então mais uma vez, deixou-se hipnotizar, sentindo cada vez mais a grandeza deste sentimento.
Assim uniu-se a ti e, formaram um só. Uma particula cheia de força... cheia de amor!
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