Mentiras.
Sim, mentiras. Mentiras sustentaram e sustentam a sua vida, e a vida dos seus outros. Apoiou-se na mentira e na mentira viveu e assim vive. A mentira foi ganhando forma e tornou-se monstruosa. E depois? Então depois manteve-a, cuidou-a, alimentou-a, e levou a mentira à vida de outros. Inseriu-lhes a mentira como quem insere uma pen-drive num computador. Largou a infecção, a podridão; largou o vírus! Deixou fomentar, fervilhar, crescer e outra vez, tornar-se monstruosa na vida de outros. É assim que vive, outros vivem à custa do dinheiro, mas ele vive à custa de mentiras. É com as mentiras que ganha a vida, o seu sustento e agora é a sua melhor amiga para a vida. Por vezes pára e pergunta-se em que realidade está? A mentira é tanta que já não sabe distinguir a verdade da mentira. Pois no lugar do coração, já vive uma mentira. Verdade? Já não conhece essa palavra. Teve a oportunidade de a conhecer e de a ganhar. Manteve-a por perto durante tempos mas a sua realidade negra poeirenta e suja de mentiras, afugentaram a verdade. Então a verdade fugiu. E ele viu-a fugir...viu-a partir. Deixou-a ir pois a mentira é mais segura e é realmente a sua melhor amiga, a sua companheira de casamento e de vida. Mas ele sabe, e receia. Ele sabe que um dia a mentira vira-se contra ele, a mentira ganha força e torna-se entidade, individual, e, arrebata-o e revira-o todo. Revira-lhe a vida toda e deixa-o completamente sozinho e oco. E a vida dele e ele ficam sem mentira, e desejarão a verdade mas a verdade não voltará. Partiu à muito tempo e levou o que tinha de mais precioso nele. Sim levou-lhe, levou-lhe o coração.
domingo, 11 de maio de 2014
Mentir
segunda-feira, 28 de abril de 2014
O teu fim
Amei-te muito antes de te amar. Éramos o que os amantes eram e nem precisávamos de corpo para isso, porque o que dizíamos nos satisfazia, e sempre que a vida acontecia era um ao outro que tínhamos de falar. Se há coisa que temo no mundo é o teu fim. Passo horas a sentir-me indestrutível, a ter a certeza de que nada me toca, de que nada me poderá doer o suficiente para me fazer recuar, e depois vens tu. Tu e a tua imagem a perder de vista, os teus olhos quando me olhas, a tua boca quando me falas, e é então que percebo que sou finito, pobre humano, e desato a chorar à procura do telefone e de uma palavra tua que me convença de que ainda existes. É na possibilidade do teu fim que encontro a humildade.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Sonhos
“Primeiro amo-a. Depois respiro.
E é esta a minha cadência. É esta a cadência que me mantém vivo.
Amá-la, inspirar, amá-la, expirar.” - disse ele.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Um Conto de Duas Cidades
Quero que saibas que foste o último sonho da minha alma... Desde que te conheço que sou atormentado por remorsos e que ouço vozes antigas, vozes que eu pensava estarem caladas para sempre. Veio-me à ideia voltar a lutar, começar de novo, sacudir a preguiça e a sensualidade, recomeçar a luta interrompida. Um sonho, é tudo um sonho que acaba em nada...
Charles Dickens
terça-feira, 8 de abril de 2014
V/D
A vantagem dos anjos é que não se deterioram;
E a sua desvantagem é que não podem aperfeiçoar-se.
A desvantagem do homem é que se deteriora,
E a sua vantagem é que pode aperfeiçoar-se.
(ditado judeu)
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