quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pinceladas

Nesta melancólica noite vou pintando os sentimentos. Dou cores a cada um deles, mas as cores não batem certo. Estão trocadas, desordenadas...
Olho-as, todas entrelaçadas, dialogando (não sei sobre o quê). Apetece-me pintá-las todas da mesma cor. Todas de cinzento!! Mas fico sem forças, fico imóvel. E fico alheia, ouvindo-as conversar. Sussurram, gritam, choram ... É constante aquele diálogo. É completamente ensurdecedor! Tapo os ouvidos e, grito em silêncio.
Desapareceram! ... Será que fugiram? Será que se esconderam? Espera, (penso) ... e agora? Fiquei oca? Fiquei vazia? Olho ao vazio, ao profundo... lá estão! Tão diferentes ... tão sem cor.
Decido pintá-las de novo. Mas a cor, desta vez, será diferente. Será uma mistura de azul, amarelo, verde, laranja. Recuo, e oiço-as. Riem, cantam ... e eu apenas sorrio.
Esta noite não é mais melancólica. É ......

sábado, 12 de junho de 2010

Espírito

Onda por onda,
Venham até mim,
Essências de onça,
Não me deixem assim.

És parte de mim,
És parte do mundo,
És feita de marfim,
Que me parte num segundo.

Permite-me te piratear,
Roubar-te todos os adereços que trazes contigo,
Deixa-me pertencer ao teu Mar,
Refugiar-me nesse abrigo.

Usarei conchas e búzios nos meus cabelos,
Vestirei algas em enlaces fantasiados,
Farei das pérolas do mar meus brincos,
Beberei como água a maresia.

Essência que suportas tanta vida,
Suporta a minha também,
Serei doce batida,
Serei parte da colectânea do teu armazém.

Serei metade peixe, metade mulher,
Sereia serei.
E cantarei no amanhecer,
E num instante te pertencerei.


Os peixes e as estrelas-do-mar,
Em ressonância comentarão:

"Ela vive do mar, e Ele vive dela.".

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Essência

Não o controlas mas vives-o, conheces mas não o advinhas, tu ama-lo mas não o dominas. Não o dominas, mas respeita-lo, é ele que te acolhe, é ele quem tu amas.
Leva-te dentro dele e envolve-te nos seus braços. Aquele sal penetra na tua suave pele, ama-te com as suas forças, liberta-te nas suas ondas. Ele acolhe-te, ele ama-te e tu o amas, tu não o conheces mas sobre ele não te enganes. Doce e fiel companheiro, proporciona-te o desejo da vida eterna, é simples, é verdadeiro! Teu doce rival, teu fiel companheiro. Nunca o perdeste e navegas nele de forma única.
Cabelos loiros brilham perante a tempestade... é medo? é morte? mas é a tua vida. Só tu o chamas docemente de Mar, enfeitiças-o com um toque, uma vida. É ele a tua vida, o teu tudo, o teu nada, o teu riso, o teu choro.
Um leve toque, uma eterna paixão, eterna vida, é ele que te deixa o coração nas mãos, mas também é ele que o faz bater. Tu conhece-lo de forma diferente, talvez seja por ele te dar vida, talvez pelas tuas memórias, o teu riso, o teu choro. Foi ele que te acompanhou nos teus melhores momentos, pois ele sempre está no teu coração e, talvez, por triunfares no mar.
Vai, força, luta, chora mas sorri, sofres, ris, mas seja como for será sempre ele, aquele teu velho companheiro. Aquele que foi, é, e sempre será a tua grande e verdadeira paixão.
Ele está onde sempre esteve, mas sobretudo dentro do teu peito, nesse teu enorme coração.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Flecha

Tudo parou por instantes ...
Os meus olhos melancólicos não viam outro caminho se não o teu (não queriam ver). Assistia ao meu coração que seguia por encruzilhadas que dificilmente conseguia decifrar. E ali pairava eu, petrificada.
Imóvel sobre o tempo... Via a minha vida passar ao meu lado. Poderia apenas agarrá-la com um esticar de braços e assim manuseá-la, mas não. Ofereci-ta de presente para que a guiasses e fizesses dela teu porta-chaves. E ali estava eu de novo, sobre a tua aura invisível que me consumia a toda a velocidade.
Subitamente, a dor instalou-se no meu peito. O que era "isto"? Que quereria de mim? Viria para ficar? - pensava.
E ali permanecia, vivia dentro de mim. Doía-me como se algo me tivesse trespassado a alma. Tentava arrancar esta dor dentro do meu peito que me fazia criar rios. Mas vieste-me com o teu esplendoroso sorriso, que brutalmente me embateu e me sugou toda esta dor.
E de novo estava eu: imóvel sobre o tempo. Saboreando os doces favos que semeavas no meu coração.
Mas subitamente aquela dor voltou. Quis fugir dela antes que me apanha-se, mas foi em vão. Mas para meu benefício chegaste tu, com o teu caloroso abraço que curou desta dor.
E eu ia e vinha nesta corda bamba, neste rodopio infinito de sentimentos, com duas faces: dor e amor. Qual deles pesaria mais? Qual deles me custaria a alma? Mas apareceu-me a resposta, gelada e fervorosa: vieste mas trouxeste contigo o bem e o mal. Sem um não há outro e vice-versa. Dei por mim (de novo) a olhar a minha vida a passar ao meu lado, e tudo parou por instantes...

sábado, 27 de março de 2010

Ela


Ela vive do mar,
Ela cheira á beira-mar...
Seu corpo guarda estrelas do mar e o sal saboreia-se dela.

Ela sente o marulho como uma anémona do mar,
Adorna-se de algas...
E brinca com as ondas do mar.

Bebe a maresia,
Como de pura magia,
Pois conchas e búzios são seus remédios do dia.

Quem será ela?
Que desejará ela?

Vive do mar e ele vive dela...